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Nesta sexta-feira (31), Xuxa volta aos palcos para o segundo show da turnê que marca sua despedida. Na estreia, no último sábado (25), diante de uma plateia de baixinhos que hoje já são adultos, ela desceu de uma nave para abrir "O Último Voo da Nave", show em que resgata seus principais hits, traz de volta as paquitas e revisita o repertório visual que, por mais de três décadas, influenciou a moda de gerações inteiras. Por trás dessa cena, existiram seis meses de pesquisa, prova, ajuste e reajuste, croquis discutidos à exaustão e mais de 200 figurinos costurados, testados e, em alguns casos, refeitos do zero em tempo recorde.
À frente da concepção dos figurinos estão o figurinista e estilista Marcelo Cavalcante, que trabalha há décadas com Xuxa, e Solange Meneghel, irmã da artista. Os três looks de Xuxa em cena são assinados por Michelly X, com colaborações de Henrique Filho e Denis Linhares, enquanto o figurino das 13 Paquitas e de parte dos dançarinos (exceto do primeiro balé, que também é de Michelly) ficou a cargo de Jota Ferreira.
Muito antes das primeiras provas de roupa, a história que o espetáculo contaria já estava definida. Segundo Marcelo, a estrutura visual nasceu da própria visão de Xuxa, que participou do processo desde as primeiras conversas.
“A narrativa do show já estava pronta há um tempão, a Xuxa já pensa nele há muito tempo. Cada detalhe está na cabeça dela, ela só vai passando para a gente. Ela já traz pesquisa e a gente começa a raciocinar em cima do que ela quer. Ela tem uma visão muito boa de tudo, né? É muito tempo fazendo show para ter essa expertise", comenta Marcelo.
Embora revisitem diferentes épocas da carreira da apresentadora, os figurinos evitam a reprodução literal de roupas que marcaram os programas de televisão. O caminho escolhido foi atualizar esse repertório visual sem abrir mão dos códigos que tornaram a imagem de Xuxa imediatamente reconhecível.
Ombreiras geométricas, cinturas marcadas, bodies estruturados, capas dramáticas e botas de cano alto aparecem ao longo do espetáculo em uma estética futurista que remete aos anos 1980, mas incorpora materiais e soluções contemporâneas.
Essas referências foram reinterpretadas, atualizadas. Tem uma inspiração em inteligência artificial na linguagem do show, e eu acho isso muito legal. Mas tudo parte da Xuxa. Ela participou de todos os detalhes de cada look, desde a pesquisa até os croquis, as provas de roupa... tudo aconteceu com ela presente", revela.
Para Michelly X, trabalhar com Xuxa é, ao mesmo tempo, profissão e realização de um sonho de infância. Neste ano, a figurinista completa uma década ao lado da artista, cuja influência está presente até no nome artístico: o X é uma homenagem à apresentadora, de quem é fã declarada desde criança, quando se encantava com os figurinos exuberantes dos anos 1980 usados por ela nos palcos. Essa relação afetiva, segundo Michelly, atravessa cada entrega do trabalho atual.
"Eu sempre me emociono porque sou fã, né? Tudo que a gente faz me lembra da minha infância e da minha adolescência, daquela criança que vivia vendo o show da Xuxa, enlouquecida", relembra.
É também Michelly X quem assina a concepção dos looks usados por Xuxa na nova turnê. O primeiro figurino que criou para a artista foi o preto, desenvolvido com um material 3D flexível aplicado aos ombros. “Na primeira prova, já ficou muito perfeito. Na segunda, quando ela viu o resultado completo, se emocionou muito, porque encaixou perfeitamente. Foi impecável”, descreve.
A peça exigiu apenas duas provas: a primeira sem os apliques e a segunda já com o acabamento finalizado, sem necessidade de ajustes posteriores. Embora a criação dos figurinos de Xuxa tenha passado por diferentes fornecedores e equipes de produção, algumas peças chegaram ao ateliê de Michelly para ajustes ou reconstruções de última hora. A figurinista explica que esse ritmo acelerado faz parte da sua forma de trabalhar.
“Uma roupa eu consigo fazer em três dias. Tem figurino que, com calma, demora um mês; mas quando é para resolver correndo, a gente faz em quatro dias”, afirma.
Do lado dos materiais, a produção investiu em tecnologia têxtil e, principalmente, conforto. Todas as peças receberam elastano para garantir liberdade de movimento, independentemente do tipo de tecido utilizado. “No figurino dourado, por exemplo, usamos um material metálico muito mais flexível justamente para criar a aparência de uma armadura sem perder mobilidade. Existe todo um trabalho para equilibrar impacto visual e movimento”, relembra Michelly.
A capa branca, peça central da abertura do show, também passou por diferentes reformulações até chegar ao resultado imaginado por Xuxa. “Ela foi feita com um tecido tecnológico, o mais leve do mundo, muito caro justamente por causa disso. Tivemos um problema técnico com a turbina no primeiro show, que não deixou ela voar como deveria, mas isso já foi ajustado”, explica.
Após a estreia em São Paulo, “O Último Voo da Nave” segue viagem pelo Brasil. Até agora, a turnê tem apresentações confirmadas em Curitiba, no dia 26 de setembro, na Arena da Baixada; Belo Horizonte, em 14 de novembro, na Arena MRV; e Rio de Janeiro, em 20 de dezembro, com o encerramento no Maracanã.
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