Manhã fresca, calor à tarde, chuva forte e nova queda de temperatura. Essa sucessão de mudanças, às vezes registrada em poucas horas, é uma das características da primavera, que começa oficialmente nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Em Piracicaba, a chuva se antecipou à chegada da nova estação. Entre as 7h do dia 10 e as 6h38 do dia 11 de setembro, foram registrados 78,49 milímetros, de acordo com a Estação Meteorológica da Esalq-USP. O volume superou em 15,43% a média histórica de 68 milímetros prevista para todo o mês de setembro.

Por que o tempo muda tanto?

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A primavera funciona como uma ponte entre o inverno e o verão. Massas de ar frio ainda conseguem avançar pelo país, enquanto os dias se tornam mais quentes e a atmosfera passa a concentrar maior quantidade de umidade.

De acordo com o INMET, a estação marca a transição entre os períodos seco e chuvoso, especialmente na região central do Brasil. Nessa época, intensifica-se o transporte de umidade da Amazônia, favorecendo o retorno das chuvas ao Sudeste. O contraste entre o ar aquecido e a passagem de frentes frias também pode contribuir para a rápida formação de tempestades, acompanhadas por rajadas de vento, descargas elétricas e, eventualmente, granizo.

Neste ano, há ainda a influência do El Niño. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, já está estabelecido e pode ganhar intensidade durante a primavera. Segundo o INMET, seus efeitos não ocorrem da mesma maneira em todas as regiões e ele não deve ser apontado, isoladamente, como responsável por cada temporal. Frentes frias, disponibilidade de umidade e outros sistemas atmosféricos também interferem nas condições observadas em cada localidade.

E o corpo percebe essas mudanças?

Sim. O organismo precisa se adaptar às oscilações de temperatura e umidade. Em pessoas mais sensíveis, essa alternância pode aumentar o desconforto respiratório e favorecer sintomas como espirros, coriza, tosse, irritação nos olhos e ressecamento ou congestão das vias aéreas.

A primavera também amplia o contato com alguns agentes capazes de desencadear ou agravar alergias. O pólen liberado pelas plantas circula pelo ar, enquanto a umidade favorece a formação de mofo em ambientes fechados. Poeira, ácaros e poluição completam a combinação que costuma incomodar principalmente crianças, idosos e pessoas com rinite, asma ou outras condições respiratórias.

Como reduzir os desconfortos?

Alguns cuidados simples ajudam o organismo a enfrentar melhor as mudanças típicas da estação. Manter boa hidratação, deixar os ambientes arejados, evitar o acúmulo de poeira, observar sinais de mofo e higienizar roupas de cama com frequência são medidas importantes.

Nos dias mais secos ou com maior concentração de poeira e pólen, a lavagem nasal com soro fisiológico pode ajudar na limpeza das vias aéreas. Também é recomendável ter uma peça leve de agasalho à disposição, principalmente no início da manhã e à noite, quando a temperatura pode cair rapidamente.

Durante tempestades, a atenção deve ser redobrada. É importante evitar áreas abertas, árvores, estruturas metálicas e locais sujeitos a alagamentos, além de não atravessar ruas ou avenidas tomadas pela água.

Sintomas persistentes, falta de ar, chiado no peito, febre ou piora de doenças respiratórias exigem avaliação profissional. A primavera pode trazer dias de sol, chuva e frio em sequência — e acompanhar essas mudanças, adotando cuidados simples, ajuda a atravessar a estação com mais segurança e bem-estar.

FONTE/CRÉDITOS: Santa Casa