A Prefeitura de Piracicaba contratou o artista plástico Lázaro de Oliveira Junior, conhecido como Lajur, por R$ 35 mil, para produzir uma escultura de uma capivara com aproximadamente quatro metros de altura.

A obra será confeccionada em fibra de vidro, com revestimento em tecido acrílico, seguindo um estilo hiper-realista. O prazo previsto para a conclusão é de até 90 dias.

Segundo as informações divulgadas, a escultura fará parte de um projeto cultural e educacional desenvolvido em parceria entre as secretarias municipais de Cultura e Educação. O local exato onde a peça será instalada ainda deverá ser divulgado.

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Uma nova atração para a cidade?

A proposta pode ter potencial para se tornar uma atração turística e cultural. Uma escultura de grandes dimensões pode ajudar a movimentar espaços públicos, gerar registros de visitantes e servir como ferramenta para atividades educativas. Por outro lado, o investimento de R$ 35 mil em uma única obra naturalmente abre espaço para uma discussão sobre prioridades.

A questão não necessariamente é ser contra ou a favor da capivara. É válido questionar qual será o retorno cultural, educacional e turístico do investimento e se existem outras iniciativas que poderiam receber esses recursos e beneficiar um número maior de pessoas.

Piracicaba possui equipamentos culturais, espaços públicos e projetos que também dependem de manutenção, melhorias estruturais, acessibilidade e programação. Nesse cenário, uma pergunta pertinente é se parte desses recursos poderia ser utilizada para fortalecer projetos que já existem, antes de criar uma nova atração.

Capivara ou peixe: qual representa Piracicaba?

A escolha da capivara também chama atenção por outro motivo.  Embora o animal tenha se tornado extremamente associado à imagem de Piracicaba, principalmente pela presença às margens do Rio Piracicaba, a capivara não é o símbolo oficial da cidade.

O peixe possui uma relação histórica e simbólica muito mais direta com Piracicaba. O próprio brasão municipal traz referências aos peixes e à relação do município com o rio.

Isso não significa que uma capivara não possa representar uma parte da cultura popular da cidade. Pelo contrário: o animal já faz parte do imaginário de moradores e visitantes. Mas é importante diferenciar um símbolo popular e turístico de um símbolo histórico e oficial do município.

Transparência pode ajudar a avaliar a proposta

Para além da discussão sobre a escultura, seria importante que o projeto apresentasse à população detalhes sobre quais atividades educacionais serão realizadas, onde a obra será instalada, qual será sua utilização e quais benefícios são esperados para a cidade. Também seria interessante esclarecer se haverá custos futuros relacionados à manutenção, segurança, transporte ou eventual mudança de local da escultura.

O investimento de R$ 35 mil, por si só, não determina se a iniciativa é boa ou ruim. A avaliação depende do objetivo, do impacto esperado e da forma como a obra será integrada às políticas culturais e educacionais do município.

No fim, a discussão pode ser menos sobre “ter ou não ter uma capivara gigante” e mais sobre como Piracicaba escolhe investir seus recursos na cultura e quais projetos realmente conseguem deixar um legado para a população.

A proposta pode dar certo e se tornar uma atração da cidade. Mas também é legítimo perguntar se, diante das diversas necessidades existentes, esse era o melhor investimento possível ou se o mesmo valor poderia fortalecer projetos culturais que Piracicaba já possui.

FONTE/CRÉDITOS: Informativo Piracicaba