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A mudança no transporte escolar de aproximadamente 400 estudantes da rede estadual de Piracicaba tem provocado preocupação entre pais, responsáveis e entidades ligadas à defesa dos direitos das crianças e adolescentes. A partir do retorno das aulas, marcado para 24 de julho, os alunos deixarão de utilizar o transporte escolar fretado e passarão a fazer o trajeto até as escolas por meio das linhas regulares do transporte coletivo urbano, utilizando o Passe Escolar.
A alteração atinge estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio e, segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), será aplicada aos alunos que possuem linhas de ônibus convencionais capazes de atender o deslocamento entre a residência e a unidade escolar. A Prefeitura de Piracicaba informou que buscou manter o modelo anterior por meio do convênio existente com o Governo do Estado, mas a decisão foi mantida pela Diretoria Regional de Ensino. Com isso, o município ficará responsável apenas pelo fornecimento dos créditos do Passe Escolar.
A decisão, no entanto, tem sido alvo de críticas. Pais relatam preocupação com a segurança dos filhos, principalmente dos estudantes mais novos, que passarão a enfrentar longos deslocamentos, precisarão caminhar até pontos de ônibus e utilizar o transporte público diariamente. Também há receio em relação à superlotação dos coletivos, atrasos e dificuldades para conciliar os horários das linhas com o início e o término das aulas.
A situação é ainda mais delicada para famílias de alunos da Escola Estadual Augusto Melega. Segundo os responsáveis, a unidade não possui ponto de ônibus em frente ao prédio e o acesso é considerado inseguro, sem estrutura adequada para a circulação de estudantes. Eles temem que as dificuldades acabem comprometendo a frequência escolar e até incentivem a evasão.
A Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB de Piracicaba também demonstrou preocupação com a mudança. Para a entidade, é fundamental que o acesso à educação seja garantido com segurança, especialmente para crianças e adolescentes que dependem do transporte público para chegar às escolas.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado afirmou que nenhum estudante que tenha direito ao benefício ficará sem atendimento e que a mudança apenas adequa a modalidade do transporte para os casos em que existe oferta de linhas regulares. A pasta informou ainda que as escolas estão orientando as famílias sobre a nova forma de atendimento antes do início das aulas.
Enquanto a mudança começa a ser implantada, o tema segue gerando debate em Piracicaba. Pais e responsáveis aguardam soluções que garantam não apenas o acesso às escolas, mas também a segurança e a permanência dos estudantes na rede de ensino.
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