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São Paulo, agosto de 2026 - Mais de 2,9 milhões de pessoas vivem com esclerose múltipla no mundo, segundo a 3ª edição do Atlas da EM, levantamento global publicado pela Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF).
No Brasil, a estimativa é de cerca de 40 mil pessoas com a doença, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. Apesar de ainda ser cercada por dúvidas, a condição tem um perfil conhecido: costuma surgir entre os 20 e 40 anos e na proporção de duas mulheres para cada homem. O mesmo levantamento aponta que a idade média do diagnóstico no Brasil é de 34 anos, período em que muitas pessoas estão em plena vida profissional, social e reprodutiva.
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central, formado pelo cérebro, medula espinhal e nervos ópticos. Ela acontece quando o sistema imunológico ataca estruturas do próprio organismo, especialmente a mielina, camada que envolve e protege as fibras nervosas e permite a transmissão adequada dos impulsos nervosos.
“Quando há inflamação e lesão da mielina, a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo pode ser prejudicada. Por isso, os sintomas podem variar bastante, envolvendo visão, força muscular, sensibilidade, equilíbrio, coordenação e fadiga”, explica o Dr. Roger Reis, neurologista das AMAs Especialidades São Luís e Capão Redondo, unidades da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) gerenciadas pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.
A maior frequência da doença em mulheres ainda não tem uma explicação única. Além disso, esse público, de modo geral, apresenta maior predisposição a doenças autoimunes, grupo em que o próprio sistema de defesa reage de forma inadequada contra tecidos saudáveis.
“Não podemos dizer que existe uma causa isolada para a esclerose múltipla. O que se sabe é que há uma interação complexa entre predisposição genética, resposta imunológica e fatores ambientais. A influência hormonal também é considerada uma das hipóteses para explicar por que a doença é mais frequente no público feminino”, afirma o neurologista.
Um dos desafios para o diagnóstico é que os sintomas iniciais podem ser confundidos com alterações passageiras ou problemas comuns do dia a dia. Visão embaçada ou perda temporária da visão, formigamentos persistentes, perda de força em braços ou pernas, alterações no equilíbrio, dificuldade para caminhar e fadiga intensa estão entre os sinais que merecem atenção, especialmente quando aparecem de forma recorrente.
Em muitos casos, conforme explica o médico, a esclerose múltipla se manifesta em surtos: os sintomas surgem, duram dias ou semanas e depois melhoram parcial ou totalmente. Essa melhora espontânea pode levar à falsa impressão de que o problema foi resolvido, atrasando a busca por atendimento especializado.
“É comum que a pessoa tenha um sintoma neurológico, melhore e acabe não investigando. Mas alterações que voltam, persistem ou não têm explicação clara precisam ser avaliadas. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento mais cedo, reduzir a ocorrência de surtos e retardar a progressão da doença”, alerta o Dr. Reis.
Segundo o Ministério da Saúde, a esclerose múltipla é uma das principais causas de incapacidade neurológica não traumática em adultos jovens. Isso não significa, porém, que o diagnóstico seja sinônimo de perda de autonomia. Nas últimas décadas, houve avanços importantes no tratamento, com medicamentos capazes de modificar o curso da doença, reduzir a atividade inflamatória e diminuir o acúmulo de lesões.
O acompanhamento pode envolver, além do neurologista, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, conforme as necessidades de cada paciente. A abordagem multiprofissional contribui para o controle de sintomas, a reabilitação e a manutenção da funcionalidade.
“Hoje existem terapias que ajudam a controlar melhor a esclerose múltipla e permitem que muitas pessoas mantenham suas atividades, projetos e rotina. Para isso, é fundamental a adesão ao tratamento, seguimento regular e cuidado individualizado”, destaca o especialista.
A confirmação do diagnóstico depende da avaliação clínica e de exames específicos, como a ressonância magnética. Em alguns casos, também pode ser indicada a análise do líquido cefalorraquidiano. Não há um único sinal ou exame que, sozinho, defina todos os casos, por isso a investigação deve considerar a história do paciente, a evolução dos sintomas e os achados complementares.
A doença também é alvo de mitos que dificultam o entendimento da população. Esclerose múltipla não é contagiosa, não é uma doença exclusiva de pessoas idosas e não deve ser associada automaticamente à incapacidade grave. Também não é causada apenas por estresse, embora períodos de maior desgaste possam piorar a percepção de alguns sintomas.
Outro ponto importante é reconhecer que a fadiga na esclerose múltipla costuma ser intensa, desproporcional ao esforço realizado e capaz de interferir nas atividades diárias. Quando aparece associada a sintomas neurológicos, deve ser investigada.
“Embora ainda não exista cura, a esclerose múltipla pode ser controlada. Quanto mais cedo a doença é reconhecida e tratada, maiores são as chances de reduzir surtos, preservar funções neurológicas e manter qualidade de vida”, finaliza o neurologista.
Publicado por:
Patrick Taylor
Cristão, Esposo, Pai, Empresário, Jornalista, Publicitário, Designer Gráfico, Programador
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